Escola Amiga da Criança – Por Eduardo Sá

Se acha que a escola não se pode transformar senão com grandes reformas ou com medidas ministeriais, e quase nunca com o seu contributo, então a escola do seu filho não ganha se concorrer à Escola Amiga da Criança.
E se acha que a inovação dos professores e a forma como se entregam, com paixão e com bondade, a projectos simples, inteligentes e inacreditáveis, que surpreendem pela sua criatividade, e que, pela forma como devolvem as crianças ao gosto de descobrir e de aprender, distraem as crianças do único propósito de tirarem boas notas (que acha que a escola lhes deve dar), certamente, a Escola Amiga da Criança não terá sentido para si.
Se acha que os espaços da escola não têm de ser acolhedores e que os recreios não precisam de ter “cantinhos” para as crianças conviverem, correrem, brincarem e para se sujarem, não deixe que a sua escola concorra à Escola Amiga da Criança.
Se entende que os projectos cívicos e que tudo o mais que se passa dentro da escola e à volta dela atropelam os programas e as metas curriculares, a escola dos seus filhos (ou aquela em que ensina) talvez não deva dedicar um bocadinho do seu tempo a compartilhar com todas as outras escolas o orgulho de ser uma Escola Amiga da Criança.
Se acha que os professores e os pais devem estar, unicamente, concentrados em si próprios e não precisam de conversar nem de se emparelharem, e que os nossos filhos (ou os seus alunos) não ganham se, todos juntos, fizermos, em benefício da escola, um trabalho de equipa, então talvez a Escola Amiga da Criança não lhe adiante tanto assim.
Mas se acredita que, um dia, todas as crianças hão-de fugir para a escola, concorra!
E se entende que os educadores e os professores, guardados com carinho dentro das crianças, se transformam, pelos seus exemplos e pela paixão de conhecer, em pessoas da família, concorra!
E se acha acha que o mundo pula e avança de dentro da escola para fora dela, concorra!
O maior inimigo da escola é o desconhecimento! A forma, quase clandestina, como tantas escolas antecipam as reformas que, ainda, ninguém imaginou.
A Escola Amiga da Criança não é um quadro de honra das escolas. É uma prova de vida! Uma forma das escolas dizerem: “Eu existo! Eu aprendo! E quero ser melhor, todos os dias.”
Afinal, há outra forma de aprendermos que não seja de o fazermos uns com os outros? Por isso mesmo, concorra! Uma Escola Amiga da Criança faz-se com todos os pais e com todos os professores. Em benefício de todas as crianças.
Por isso mesmo, concorra! As crianças agradecem!! E a escola também.

Por Eduardo Sá

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